CORONATOPEIAS

22.abril.2020


Passou o Carnaval, todos declaram, ufa finalmente o ano vai começar.

Eis que... extra, extra, vírus novo no pedaço.

Inicialmente considerada uma gripe como outra, ele logo se revelou poderoso mostrando suas garras grrrr.

As gotículas do mal se espalharam pelos continentes, provocando muitos Cof Cofs e Atchins dos mais variados sotaques. O que parecia inverossímil, tornou-se realidade: o vírus, wow, conseguiu conquistar territórios do Oiapoque ao Chui do globo.

E assim, click, num estalo, nossas vidas mudaram radicalmente em poucos dias.

Aulas suspensas (eba!), comércios fechados (buááá), só o básico funcionando (ufa!).

Paramos tudo e ficamos em casa. Novo cenário. Uma pausa no meio da urgência. Ouvimos menos bi-bis, menos bangs-bangs. Com menos vrum-vrums, diminuem os crashs e respiramos melhor, num uníssono ochhh ochhh ochhh (como suspirava o meu avô mediterrânico, no auge do prazer ao respirar). Ouvimos mais pios-pios. Dá até para ouvir o vu-u-u do vento.

Ouvimos agora o silêncio, shhhhh! Pausa. Respiremos profundamente. Pausa. Repete.

Nhac-nhacs agora só em casa, o que nos faz exagerar nas comidas. Burp, ic, desculpe! Trocamos nossos tênis e sapatos por chinelos de casa, chilept, chilept, chilept. O mais difícil é, chuif, não poder dar um chuak nos meus pais, família e amigos queridos.

Dias e noites se confundem, não faz muita diferença o tic-tac-tic-tac dos minutos. Por outro lado, tomam conta das nossas horas as coreografias do Tik-Tok; os cliques do Instagram; os blá-blá-blás e trololós do Twitter; e muito Zap, Zoom.

Tchibum da piscina? Sem previsão. Assim como cinemas, teatros e parques. Vários pontos de interrogações zumbindo na cabeça de cada um de nós como um mosquito bzzzzzt muito insistente bzzzzzt.

A ‘normalidade’ se vê obrigada a ser revista e questionada, brotando novos pensamentos das nossas mentes programadas, meio que como um boot para um recomeço. Hmmm, que bela oportunidade essa... de nos livrar dos nossos robôs internos, já enferrujados créééék, tão previsíveis, e por isso, tão limitados.

E com essa calmaria, essa falta de urgências... o tum-tum do coração bate mais organicamente. Tum, pausa, tum, pausa,tum, pausa.

As notícias que lemos e ouvimos são duras, muito tristes, chuif chuif chuif e mais chuif.

Tento fugir da TV e do Presidente, apesar de ter que engolir diariamente as imbecilidades do nosso comandante (bah!) e a indecência da plim plim (Argh!). Polarização nessas horas é no mínimo bhur.

E que coisa mais chata é essa de ter que ouvir o clek clek clek, todos os dias, pontualmente às 20h15m. Panelaço nessas horas é mais um desabafo de problemas pessoas do que um protesto social. Meu sincero soc! pow! a vocês, com sonoras paneladas nas suas próprias cabeças às 20h10m, pontualmente por favor.

Aos nossos heróis, médicos, enfermeiros, pesquisadores (muita inspiração aí irmãos), lixeiros, motoqueiros-entregadores , jornalistas (os sérios), cronistas (os bons), músicos (os generosos), enfim, a todos os trabalhadores de serviços e produtos essenciais (sim, arte também é essencial), um enorme e longo clap clap!

Espero que quando a gente acordar desse sonho, zzzzzz, nesse sono profundo, estejamos mais fortes, lúcidos, livres e felizes.

E chega de nhem-hem-hem, bora limpar a casa.

Smacks !

B


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