EDUARDO E MÔNICA

12.outubro.2020


Eduardo foi pra rua, como sempre atrasado Pegou a máscara e deixou no queixo

Enquanto Mônica saiu adiantada Do outro canto da cidade, sem nenhum desleixo

Eduardo e Mônica em março se encontraram sem querer E seus olhares se cruzaram mesmo sem se conhecer

Pegaram o metrô, entraram juntos no vagão

Dividiram o mesmo banco, ‘daqui não saio, não’

'Cara estranho, isso estraga o meu cenário

Outro sem máscara, eu não aguento tanto otário

Só que o Eduardo vestiu rapidamente sua máscara

Para a Mônica tentar impressionar

E a Mônica tirou do rosto o seu escudo facial

Pro Eduardo não se assustar

Eduardo e Mônica eram nada parecidos

Guitarrista de uma banda e executiva em ascensão

Eduardo acreditava em ETs e Cloroquina

Mas pra Mônica isso era aberração

No metrô a mão de Mônica não largava o álcool gel

E a do Eduardo o apoio de metal

Conversaram muito, sobre tudo, sobre a vida coisa e tal

E sem perceberem: ponto final

Eduardo e Mônica saem juntos da estação

Como velhos conhecidos, estranha sensação

Ela pede impaciente: “Põe a máscara Eduardo”

E o Eduardo acata, sem nenhum senão

Eles trocaram celular e Facebook

De Instagram a Tiktok, Twitter a Linkedin

E o Eduardo ficou stalkeando

E de noite já tinha um completo boletim

Ele ligou e conversaram até a hora de acordar

E marcaram de se ver pessoalmente

Mesmo com sono não queriam mais dormir

Pois sair pra se encontrar era o mais urgente

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente,

Uma vontade de ficar

E os dois se encontravam todo dia

E a vontade crescia, não queriam se largar

Eduardo e Mônica tinham nada parecido Ela campo, ele mar; ele carne, ela açafrão

Consolação, Liberdade era tudo um Paraíso

Cada dia era uma estação

Ele aprendeu a se cuidar, comprou umas máscaras legais

Foram ficando cada dia mais iguais

Eduardo até provou abobrinha e berinjela

E até fez alguns pratos pra ela

E os dois quarentenaram juntos

E viajavam juntos, praia ou campo, tanto faz

E toda noite ele tocava uma canção pra ela

Até dormir em paz

Se mudaram, em setembro, para um cantinho legal

Decorado como a Mônica queria

Um estúdio, um home office e mesmo sem quintal

Era aconchego no meio da pandemia

Eduardo e Mônica voltaram do hospital

Assustados com o exame que o Eduardo lê

Só que aquele positivo era de gravidez

E na barriga a Mônica carrega um bebê

Ah! Ahaan!

E quem um dia irá dizer Que existe razão Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer Que não existe razão?

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