NÁDEGAS A DECLARAR

25.outubro.2020


Semana passada fui ao banco sacar dinheiro. Imediatamente após ter digitado minha senha, fui subitamente invadida por um pânico, apertei alguns botões na tentativa desesperada de cancelar a operação, mas era tarde. A cada nota que o caixa eletrônico liberava, passava pela minha cabeça a ideia delas terem passado antes por outro ‘terminal’. Explico: Considerando que os R$33 mil depositados no... no... na cueca do senador Chico Rodrigues, fossem em notas de R$100, seriam 330 notas circulando; se fossem notas de R$50, seriam 660 notas espalhadas pelo país. Se em notas de R$10... bem, prefiro não imaginar como se acomodariam 3.300 notas no ... no ... na cueca do senador.

Faz parte dos anais da minha história: nunca ganhei sorteios, bingos, rifas, mas sempre era a premiada com cocôs de passarinho no cabelo, pneus furados na estrada e flagrantes de professores. Diante de tal estatística, as chances de uma dessas notas caírem nas minhas mãos não eram pequenas.

Peguei um plástico daqueles que se usa para recolher das vias públicas as necessidades dos cachorros, tomei coragem e retirei as notas da máquina de dinheiro. Peguei outro plástico e enfiei dentro dele o dinheiro sujo (perdoem os trocadilhos).

Só quando cheguei em casa, não antes de desinfetar as mãos, dei um google e li que a maioria das notas que foram escondidas no... no... na cueca do político eram de R$200. Fiquei aliviada mas, para garantir, mantive as notas suspeitas separadas e na primeira oportunidade que tiver me livrarei delas. Pensei em fazer uma lavagem do dinheiro, mas não tenho a expertise necessária.

Será que o Capitão Cueca não achou hora melhor para desviar recursos públicos destinado à saúde? Pego no flagrante, ele se limitou a dizer o clássico: "não é nada disso que vocês estão pensando".

Os advogados o defenderam sustentando que cada um aplica o dinheiro no fundo que achar melhor. Faz sentido! Alegaram, ainda, que a intimidade do senador foi violada. Também faz sentido, já que todos já conhecem a cor de sua cueca e muito mais. E garantiram que o dinheiro é limpo. Isso já me parece inócuo! Só acredito se eu vir os causídicos receberem o pagamento de seus honorários com os mesmos lobos-guarás que estavam dentro do cofrinho do cliente.

O lobo-guará das notas de R$200 estreou cedo no panorama da corrupção. As notas foram lançadas pelo Banco Central em setembro e no mês seguinte foram parar nas mãos, ou melhor, no... no... na cueca do vice líder do governo.

Não sei se esse lobo faz parte do folclore brasileiro, mas dinheiro escondido em partes íntimas certamente já é uma figura mítica no nosso folclore nacional.


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