O ANTIMANUAL DO CASAMENTO

08.maio.2021



Nota explicativa: O presente antimanual é destinado a todos os gêneros. A forma masculina utilizada refere-se à palavra “cônjuge” e não se limita ao gênero masculino. O termo “casamento”, se aplica para casados, juntados, namorados, companheiros ou qualquer outro relacionamento a dois.


A dica de ouro: Deposite no seu cônjuge a responsabilidade pela sua felicidade. Afinal, se ele conseguiu se casar com você, automaticamente assumiu o encargo de fazer você feliz para sempre. Essa é a base de uma união saudável.

Crie muitas expectativas. Espere muito do seu cônjuge. Ele lhe deve o mundo.

Não aceite mudanças. Você o escolheu pelo que ele era. Qualquer transformação ulterior - que não seja a sua própria mudança - é uma traição.

Evite ser repetitivo. Não insista em dizer o quanto você gosta dele, não elogie, não diga que ele está bonito, nem enalteça os seus atos. Você já declarou o seu amor uma vez? Então é o suficiente. Ser repetitivo sufoca o parceiro.

Valorize a rotina. Faça tudo conforme previsto, não surpreenda. Vista-se com suas piores roupas em casa (ninguém vai ver mesmo!). Não se cuide. Não cuide do outro.

Fale mal da família dele. Critique sua mãe, e quando ele menos esperar, diga que ele é igualzinho a ela.

Nunca telefone no meio do dia, nem mande mensagens carinhosas. Uma coisa é trabalho e compromissos diários, outra coisa é vida conjugal. Mas não hesite em ligar para falar sobre problemas, essa é a única exceção.

Não se incomode com a insegurança do seu cônjuge. Deixe-o sempre com a pulga atrás da orelha, nada de muitas explicações, não avise quando irá se atrasar, provoque ciúmes, não o inclua no seu ambiente social. Ele não pode nunca saber que o jogo está ganho. Esse é o charme do relacionamento amoroso.

Sejam competitivos entre si. Isso é motivador, faz o outro crescer.

Fique entretido nas redes sociais e nos joguinhos às noites e nos horários nobres do casal. Conversar, rir e namorar pode ficar para depois, vocês terão tempo para isso. Já os joguinhos não esperam.

Generalize, use bastante as expressões “você sempre” e “você nunca” quando estiverem discutindo. Quem sabe ele se toca que quem tem sempre a razão é você.

Dê total atenção aos filhos, seja mãe/pai 24h por dia, deixe-os dormirem na sua cama sempre que quiserem, dispense momentos de privacidade. Ter uma vida aberta e totalmente livre, sem barreiras, é saudável até para os filhos.

Nos dias de TPMs ou tensões afins, descarregue todas as suas angústias no seu cônjuge. O autocontrole deve ser reservado para pessoas que temos menos intimidade.

Mostre suas estrias e verrugas para seu companheiro, revele cada detalhe de suas imperfeições, exponha, com uma lente de aumento, seus defeitos e fraquezas.

Faça o número dois com a porta aberta. Se ele gosta de você, vai gostar como você é de qualquer jeito. No amor não pode existir segredos.

Se você é homem, não paparique, não compre presentes à toa, não dê flores, e se cair nessa roubada, não escreva cartões. Não acostume mal a mulher, porque se você der o dedo ela vai querer a mão. Por falar em dedo, nada de anéis de ouro, brilhante, diamante, não alimente a futilidade de sua amada. Isso é um ato de amor. Presentes para ela, só em aniversários. Siga a linha utilidades domésticas: Batedeira, jogo de panelas, abridor de latas automático.

Se você é mulher, pergunte ao marido se você está gorda. Se ele negar, insista, se mostre pelos ângulos que menos lhe favoreçam. E quando ele concordar, não aceite a petulância de ser chamada de gorda. Fale muito, tagarele. Narre com detalhes a qualidade do broto de alfafa, fale sobre bolsas, maquiagem, problemas com a faxineira. Homens adoram esses assuntos.

Para casais que estão juntos há mais de dez anos, beijos só na testa. Beijar na boca é coisa de adolescentes. O amor maduro transcende esse desejo físico.

Lave roupa suja em público. Reuniões de amigos e família são ideais para expor problemas conjugais. Transmita recados indiretos para o seu cônjuge através de amigos. É um bom caminho para a paz. É também recomendável, em momentos de crise, relembrar seus antigos relacionamentos e de como você era mais valorizado. Permita que a sua imaginação colora as suas memórias com lembranças incríveis, e aproveite para mandar uma inocente mensagem de “oi” para o ex. Como amigo, é claro.

Seja desconfiado sempre. Siga, stalkeie, confira o celular na madrugada, mexa nos bolsos das camisas, cheire o pescoço, inquira, vigie. Seja um verdadeiro detetive.

Cada vez que o seu cônjuge errar ou fizer algo que não lhe agrade, puna-o. Relacionamentos funcionam como adestramentos. Não diga obrigado nem por favor, apenas condicione o outro a lhe servir.

Não se divirtam, não compartilhem ideias, não filosofem, não se permitam fazer aventuras, não brinquem, afinal casamento é coisa séria.

Critique, acuse, reclame, cobre, demande, ressalte o que falta no outro. É um ato altruísta, para o seu cônjuge se conhecer melhor.

Acumule assuntos mal resolvidos debaixo do tapete. Durma com mágoa e acorde com raiva. Isso fará bem não só para o casal, mas para o seu fígado.

Compare seu cônjuge aos maridos/esposas de seus amigos e não se esqueça de enfatizar o quanto seu amigo é feliz.

Qualquer discordância merece uma briga. E quando não chegarem a um “consenso” para que a sua posição prevaleça, grite. Elevar a voz é sempre um ótimo recurso, fará com que o outro lhe ouça melhor. Pode apostar.

Não tenha vida própria, se entregue totalmente ao outro, confunda suas identidades. Isso sim é verdadeiro romantismo.


“Amor é tudo o que dissemos que não era” - Charles Bukowski


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