O PRESENTE

19.maio.2020

O EXERCÍCIO DO AQUI E AGORA


Ouvimos muito a ideia ‘viver o momento’, fundamento da psicologia positiva, religiões e filosofias.

É para poucos - sábios e felizes - a arte de viver o aqui e agora, que é definitivamente o único momento em que nossas ações exercem uma influência direta sobre nós.

O Covid veio para democratizar essa arte e nos forçar a praticar o exercício. Estamos vivendo na pele: não controlamos nada.

Uma dose irresponsabilidade quanto ao porvir, somada a uma pequena amnésia do passado, pode deixar o presente mais leve e não menos significativo.

Mas, afinal, como aprender isso?

Todo conhecimento provém da experiência, já que não existe um conhecimento que possa ser universalmente válido. Porque os humanos não são iguais. E, também, porque a realidade de cada um é mutável.

Sou Locke na veia: Acredito que só aprendemos o que captamos pelos sentidos; que experimentar um conhecimento é a única forma de incorporá-lo ao nosso entendimento.

O mundo vive o vírus de forma universal e também individual.

O grande ensinamento que ele nos transmite é a nossa vulnerabilidade. Recebemos a prova cabal do que já sabíamos, mas teimávamos em não acreditar.

Por isso, nada mais urgente agora senão viver o presente.

Somos experts em violar o ‘hoje’, gastando nossas energias vivendo de instâncias temporais inalteráveis (passado) e incertas (futuro).

Focar no presente não significa deixar de lado o futuro; significa saber que o amanhã será consequência do que for realizado hoje. Significa conseguir projetar o futuro substituindo a ansiedade pela serenidade, com a consciência de estarmos fazendo, hoje, a coisa certa. E com o conforto de que, embora sejamos protagonistas da nossa história, D’us nos recria todos os dias. E as contas de D’us ... elas não são da nossa conta.

Viver o presente tampouco significa abandonar o passado, do contrário seria negar a nossa própria identidade. Significa conseguir olhar para nosso passado de uma forma pedagógica, não para cultivar culpas, mas com a coragem de aprender de nossos erros e acertos. Significa visitar o nosso passado para acalentar o nosso presente com boas memórias, e não para se entregar à melancolia ou ao saudosismo.

Nesses meses de Covid, vivemos vários pontos de interrogações. É natural. E para essas perguntas, vem a resposta com um (humilde) ponto de exclamação: Não sabemos, ninguém sabe! Nem quando, nem onde e nem como.

Espero que o vírus passe logo.

Mas, enquanto está nos rondando, ele aproxima a nossa mente ao nosso coração, unindo o entendimento à experiência e nos faz compreender, de verdade, a urgência de viver e honrar o presente.

Lechaim !


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